Pois, é verde, deu-me para isto!
Como começou?
Com o desalento de mais uma pequena/grande perda, com a vontade de baixar os braços e desistir (É ÓBVIO QUE NÃO!!), de sair daqui e ir para outro sítio qualquer... claro que depois ia acontecer o que o António Variações dizia na canção:
"(...)Estou bem | Aonde não estou | Porque eu só quero ir | Aonde eu não vou (...)"
Era mesmo muito provável, porque ele era um homem muito sábio!
Hoje virei-me para Fernando Pessoa porque me estava a querer lembrar do poema anterior e como não me lembrava, fui à procura, e basta procurar para se encontrar!:-)
Para minha "desgraça" encontrei o que procurava e outros de que não me lembrava e algumas frases muito interessantes, ora vejam se não tenho razão:
"Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!"
(não conhecia nem o de cima nem o de baixo... tb não posso conhecer tudo, não é?)
"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo"
e chega!!!!!
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quinta-feira, 2 de junho de 2011
ERA MAIS OU MENOS ISTO QUE ME APETECIA DIZER...
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada, (não é nada!)
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças, os animais
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
* O que está a cor, acrescentei eu (isto para quem não conhece o poema!! :-)
É que estou naqueles dias em que... não apetece fazer absolutamente nada, nem pensar, ...muito menos pensar!!
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada, (não é nada!)
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças, os animais
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
* O que está a cor, acrescentei eu (isto para quem não conhece o poema!! :-)
É que estou naqueles dias em que... não apetece fazer absolutamente nada, nem pensar, ...muito menos pensar!!
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Para domingo, DIA DA MÃE
Pois é, minha gente, aí vem mais um dia da mãe, mais um daqueles que devia ser todos os dias...
Mas atendendo que ele existe para publicamente as homenagearmos, é isso que também eu vou fazer!
Apetecia-me um poema... lembrei-me logo do "meu" querido e fantástico Eugénio de Andrade!
Aqui vos deixo o seu "Poema à Mãe".
Mas tenho-vos a dizer que ao ir à procura dele (pois não o sei de cabeça) encontrei outros num site q se chama "Citador". Comecei a ler e fiquei na dúvida, mas como sou fiel, deixo-vos aqui o link ao dito site, para então escolherem o vosso favorito e já agora, digam-me qual elegeram!
CITADOR - http://www.citador.pt/poemas.php?poemas=Mae&op=9&theme=141
Poema à Mãe
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas. Boa noite.
Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"
e já agora...
Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas'
Mas atendendo que ele existe para publicamente as homenagearmos, é isso que também eu vou fazer!
Apetecia-me um poema... lembrei-me logo do "meu" querido e fantástico Eugénio de Andrade!
Aqui vos deixo o seu "Poema à Mãe".
Mas tenho-vos a dizer que ao ir à procura dele (pois não o sei de cabeça) encontrei outros num site q se chama "Citador". Comecei a ler e fiquei na dúvida, mas como sou fiel, deixo-vos aqui o link ao dito site, para então escolherem o vosso favorito e já agora, digam-me qual elegeram!
CITADOR - http://www.citador.pt/poemas.php?poemas=Mae&op=9&theme=141
Poema à Mãe
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas. Boa noite.
Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"
e já agora...
Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas'
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